Blog da Galatéia

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... “Eu adoro todas as coisas E o meu coração é um albergue aberto toda a noite. Tenho pela vida um interesse ávido Que busca compreendê-la sentindo-a muito. Amo tudo, animo tudo, empresto humanidade a tudo, Aos homens e às pedras, às almas e às máquinas, Para aumentar com isso a minha personalidade. Pertenço a tudo para pertencer cada vez mais a mim próprio E a minha ambição era trazer o universo ao colo Como uma criança a quem a ama beija.” Álvaro de campos

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domingo, 27 de junho de 2010

Renata Machado


LUA CHEIA


Tenho tantas Babilônias
dentro de mim
e um sábado
imenso
e uma desesperança
de mundo
que não vai passar,
mesmo se você
disser de novo
que eu ando bonita
que nem a lua cheia.


* * Uma ótima semana para todos! Beijooss

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Renata Machado



NEM LIGO

Tarde secreta, druidas comentam
que as ninfas isso,
as ninfas aquilo,
as ninfas nem ligam.
Dentro de mim
também é muito tarde
tarde prá isso,
tarde prá aquilo
mas eu tbém
nem ligo.

Renata Machado

Tardes secretas - Renata Machado.

Descobri um livro de poesias da escritora Renata Machado entre algumas coisas que eu guardava desde a época da faculdade. Gostei.

╗Servirei mais algumas doses para vocês.╔

Renata Machado


ESTÓRIA DO PEIXINHO

Peixinho deu três voltas
no aquário
e se matou,
morreu de tédio.
Tinha esgotado
todas as possibilidades
geográficas
de viver.



:( Tadinho...

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Clarice Lispector


Quero escrever o borrão vermelho de sangue

Clarice Lispector

Quero escrever o borrão vermelho de sangue
com as gotas e coágulos pingando
de dentro para dentro.
Quero escrever amarelo-ouro
com raios de translucidez.
Que não me entendam
pouco-se-me-dá.
Nada tenho a perder.
Jogo tudo na violência
que sempre me povoou,
o grito áspero e agudo e prolongado,
o grito que eu,
por falso respeito humano,
não dei.

Mas aqui vai o meu berro me rasgando as profundas entranhas
de onde brota o estertor ambicionado.
Quero abarcar o mundo
com o terremoto causado pelo grito.
O clímax de minha vida será a morte.

Quero escrever noções
sem o uso abusivo da palavra.
Só me resta ficar nua:
nada tenho mais a perder.


***

Beijos



quinta-feira, 3 de junho de 2010

Adélia Prado


Com licença poética

Adélia Prado

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
- dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade da alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.


:) Beijooss